iar este “desabafo” com um facto inexorável, publicitado, difundido e geralmente aceite por todos nós, Portugueses: Após 40 anos de um “inferno-opressivo” vivemos agora numa democracia.Bem, desse “inferno-opressivo”, eu e os meus contemporâneos não temos nenhuma experiência prática, não vivemos esses dias, documentadamente, tristes. Contudo eu tenho uma perspectiva sobre a democracia, dado que nasci numa e vivo na mesma à 22 anos.
Sinto que a perspectiva da geração dos meus pais sobre a democracia, como sistema político e não só, seguia uma linha de pensamento fantástica, muito parecida com um conto de fadas, o que era perfeitamente compreensível dado que essa geração nunca soube o que era a “liberdade”, e via no desconhecido, leia-se democracia, uma escapatória, um final feliz.
Não quero dizer com estas afirmações, ou insinuações (interpretem como quiserem), que esta geração de políticos cometeu um erro no dia 25 de Abril de 1974, muito pelo contrário. Apenas vejo este tipo de democracia implementado no nosso país e no nosso mundo, como um sistema político que induz ao erro, que funciona como uma ilusão de optica e que condiciona em grande medida a nossa perspectiva sobre qualquer assunto inerente à sociedade em que vivemos.
Ora, antes do 25 de Abril havia uma censura arcaica, baseada no velho método do lápis azul, maioritariamente utilizada pelos partidos do poder para controlar a opinião pública e vencer eleições sucessivamente, ou seja, para manter a cadeirinha quentinha, sempre com o calor das mesmas nádegas envelhecidas.
Hoje em dia, apesar desta liberdade, vivemos numa censura. Não, não venho para aqui falar do Sócrates nem do processo face oculta, isso para mim é apenas uma acusação que se baseia num tipo de censura à antiga, característica do antigo regime. Então? Vamos mandar o Salazar e o Marcelo Caetano para o caixote do lixo, e depois de passados 30 anos vamos fazer o mesmo tempo de censura que eles fizeram, sem qualquer tipo de evolução “psico-tecnológica”? Nós somos melhores que isso!
Brincadeira à parte, para mim a censura dos nossos dias é auto-infligida. Quer dizer, desculpem esta afirmação tão abrupta, vou reformular: A censura sempre foi auto-infligida!
Digo auto-infligida de um modo depreciativo, mas na maioria dos casos este tipo de censura, ou acomodação, acontece de forma passiva, segundo o mesmo mecanismo do fumador passivo, sendo neste caso o não-fumador a população portuguesa e o fumador os média.
Vejamos então: Porque é que deixamos os outros manipularem os nossos pensamentos? Porque é que nos vergamos a verdades mentirosas sem sequer critica-las mentalmente? Por que é que aceitamos a opinião de alguém, só porque este aparece na televisão, veste um fato e fala umas palavras caras que nem sabe o que quer dizer? Porquê? Será que nos diminuímos a este ponto?
Existem múltiplos exemplos do que vos falo aqui. E nem é preciso falar de política, basta abrir uma daquelas revistas cor-de-rosa, ou como eu gosto de pensar sem dizer alto: revistas “cor-de-merda”…nem é preciso dizer mais nada.
O futebol! Tantos comentadores, nas televisões, nos jornais, nas tascas, todos a dizer o mesmo, e muitos de nos todos a abanar a cabeça, dizendo que sim quando dizem bem do nosso clube, e dizendo que não quando dizem mal do mesmo. Engraçado, no futebol pomos duas vendas de censura ao mesmo tempo.
Até numa palestra, ou apresentação de trabalho, as nossas mentes estão de tal modo atrofiadas que temos que ser incentivados a participar nas mesmas com as nossas opiniões, sem espírito de iniciativa…
Nos negócios, na economia, na politica, e por aí fora, fazem sondagens, eleições e etc. sem que as pessoas saibam sobre o que é que estão a falar. Não admira que as taxas de abstenção sejam tão altas! As pessoas estão tão “censuradas” que já nem se dão ao trabalho de pensar, e quando procuram quem pense por elas não sabem o que vão escolher, até me dá vontade de rir…e de chorar ao mesmo tempo…
Claro que a confusão na politica Portuguesa é a de sempre:
• Dois partidos, PS e PSD, brigam durante algumas semanas, meses e anos…
• Os poderes das múltiplas censuras cegam toda a gente…
• Dos poucos que ainda se lembram do caminho até à mesa de voto sai uma decisão hesitante, que depende da tendência da moda da estação anterior…
• E dois meses depois de o governo ser eleito, já todo o país quer que o mesmo vá para a rua, convencido que este deitou abaixo o nosso querido país, que éramos os maiores e agora já não somos, mas principalmente porque não sabemos porque pusemos aquela gente ali em cima a mandar em nós!
Portugueses, eu tenho novidades para nós, não foi o governo que nos pôs nesta situação! Fomos nós! Todos nós! Que recusamos as nossas responsabilidades para com o nosso país, melhor: recusamos as nossas responsabilidades para nós mesmos.
Eu não queria enveredar pelo lado religioso, mas prontos, como não tenho outra explicação mais plausível: Deus deu-nos um cérebro. O cérebro humano é capaz de gerar na sei quanto milhões de bites de informação, leia-se sentimentos, pensamentos, emoções, e muito mais coisas que muitos de vocês já ouviram falar…
O que eu vos sugiro é o seguinte: UTILIZEM-NO!
P.S.: “O primeiro dever da Inteligência é duvidar de si mesma” – Albert Einstein
P.S.S.: e não sigam a opinião do Einstein só porque ele tem um cabelo esquisito, parece inteligente e inventou uma teoria qualquer que é bues de importante para compreendermos o mundo em que vivemos!
P.S.S.S.: ahhh e comentem…utilizem o vosso cérebro! DESAFIO LANÇADO! Digo eu…
P.S.S.S.S.: e desculpem a agressividade agressivamente agressiva…
P.S.S.S.S.S.: fim de comunicação… :-)

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